É comum em muitas mães de recém-nascidos a produção excessiva de leite materno. As mamas cheias de leite podem produzir desconforto entre as mamadas, mas sobretudo, são uma oportunidade para ajudar inúmeras crianças sem os benefícios desse alimento vital.
Desperta cada vez mais a consciência entre inúmeras mães: o de poder ajudar a salvar vidas com o leite não consumido pelo seu bebê. As mamas cheias são um caminho de solidariedade para elas se tornarem doadoras de leite humano.
É importante esclarecer, não é necessário ter uma grande produção de leite para se tornar doadora e não existe quantidade mínima para a doação. É o mais relevante: a doação de um litro de leite humano pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia.
A produção de leite humano obedece à lei da demanda, ou seja, quanto mais leite é retirado (para doação ou sugado pelo seu bebê), mais leite é produzido. Dependendo do peso do bebê prematuro, um (1) ml já é o suficiente para nutri-lo cada vez que for alimentado.
Ao receber o leite humano, o bebê prematuro ganha peso mais rápido, fica protegido de infecções e se desenvolve com mais saúde. As evidências científicas indicam que bebês prematuros e/ou com patologias alimentados pelo leite humano no período de privação da amamentação possuem mais chances de recuperação e de terem uma vida saudável.
Como funciona exatamente a doação de leite humano?
A doação de leite humano passa pelo processo de coleta, processamento e distribuição do leite humano para bebês prematuros internados de baixo peso (menos de 2,5 kg) e com patologias, principalmente do trato gastrointestinal, e que não podem ser alimentados diretamente pelas próprias mães.
Todo o leite doado é analisado, pasteurizado e submetido a um rigoroso controle de qualidade antes de ser ofertado a uma criança, conforme rege a legislação que regulamenta o funcionamento dos bancos de leite humano no Brasil, a RDC Nº 171. Após análises das suas características, o leite é distribuído de acordo com as necessidades específicas de cada recém-nascido internado.
Quem pode ser doadora de leite humano?
Algumas mulheres quando estão amamentando produzem um volume de leite além da necessidade do bebê, o que possibilita que sejam doadoras de um banco de leite humano. De acordo com a legislação RDC Nº 171, além de apresentar excesso de leite, a doadora deve ser saudável, não usar medicamentos que impeçam a doação e se dispor a ordenhar e a doar o excedente a um banco de leite humano.
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O perigo da Amamentação Cruzada
Muitas mulheres com leite excedente optam por doar diretamente para outro bebê, cuja mãe apresente alguma dificuldade com o aleitamento. No entanto, essa prática, bastante disseminada pelas amas-de-leite no passado não é recomendada. Contraindicado formalmente pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a amamentação cruzada, como é conhecida a prática, traz diversos riscos ao bebê, podendo transmitir doenças infectocontagiosas, sendo a mais grave o HIV/Aids. Caso você conheça alguma mãe que não consiga amamentar, ajude-a a pedir orientação ao médico ou na unidade onde o bebê nasceu. Os BLHs também oferecem consulta, orientação e apoio a lactantes e podem auxiliá-las, inclusive, a retomar a amamentação, caso tenha sido interrompida.
Já a mãe com leite excedente pode doá-lo ao BLH. A diferença fundamental para a amamentação cruzada é que, no banco de leite humano, o leite doado passará por um processo de seleção e classificação, sendo pasteurizado e, por fim, sofrerá um controle de qualidade microbiológico. Deste modo, garante a isenção de qualquer possibilidade de transmissão de doenças e oferece ao bebê receptor um leite de qualidade certificada e segurança alimentar e nutricional. A mãe não deve amamentar outra criança e nem permitir que o filho seja amamentado por outra mulher. Mesmo se esta mãe for sua irmã, prima, mãe ou amiga, e estiver com os exames normais ou histórico de uma gravidez tranquila, ela pode estar em uma janela imunológica. Dessa forma, o bebê corre risco de contrair alguma doença. Além da possibilidade de acontecer o mesmo, ao revés, o bebê pode passar alguma doença para esta doadora.
FONTE: FIOCRUZ